A Guerra entre Israel e Irã
No dia 13 de junho, a guerra entre Israel e Irã que, de certo modo, vem ocorrendo desde os ataques de 7 de outubro de 2023, iniciou-se oficialmente. Israel conduziu um ataque preemptivo a fim de neutralizar as aspirações iranianas de construir uma bomba nuclear que ameace sua existência. Essa guerra é a continuação de um conflito maior e duradouro, iniciado há 2.500 anos, e envolve mistérios contidos nos livros de Números e Ester.
O ataque aéreo, apoiado em território iraniano por agentes infiltrados do Mossad, parece uma reprise do início da Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando a Força Aérea de Israel destruiu praticamente todo o poder aéreo egípcio, com as aeronaves ainda em solo, de Abdel Nasser que o ameaçava dia e noite. Dessa vez, as negociações dos EUA com líderes do Irã estavam fracassando, enquanto o regime ganhava tempo para tentar construir uma arma nuclear, estágio que se encontrava avançado. Israel não podia se dar ao luxo de esperar e aguardar a aniquilação prometida há décadas pelo regime iraniano, fato que nunca esconderam do mundo. O ataque preemptivo era urgente para preservar a nação.
AS TROMBETAS DE PRATA
Os ataques da Força Aérea e do Mossad, em território iraniano, foram sincronizados perfeitamente e se iniciaram na madrugada do dia 13 de junho, sexta-feira. A parashah do Shabbat que se iniciou ao fim desse dia é conhecida como Beha’alotcha e inclui o capítulo 10 de Números. O verso 9 diz: “E, quando na vossa terra sairdes a pelejar contra o inimigo, que vos oprime, também tocareis as trombetas retinindo, e perante o Senhor vosso Deus haverá lembrança de vós, e sereis salvos de vossos inimigos” (Números 10:9).
Israel não estava apenas lendo a porção semanal da Torá, mas vivendo-a! Ainda na madrugada dos ataques, os judeus se reuniram no Kotel (Muro Ocidental) para orar pelas Forças de Defesa, onde leram essas palavras e tocaram trombetas de prata produzidas pelo Instituto do Templo, conforme o mandamento. Deus ouviu o clamor dos fiéis e o som das trombetas como um grito de socorro de seu povo que saiu à guerra para defender sua terra, seus cidadãos e sua existência. Também não por acaso, nessa mesma parashah, está inclusa a seguinte passagem: “Levanta-te, Senhor, e dissipados sejam os teus inimigos, e fujam diante de ti os que te odeiam” (Nm 10:35).
Logo no início do mesmo livro, lemos outra passagem relevante para esse tempo. “Falou mais o Senhor a Moisés no deserto de Sinai, na tenda da congregação, no primeiro dia do segundo mês, no segundo ano da sua saída da terra do Egito, dizendo: Tomai a soma de toda a congregação dos filhos de Israel, segundo as suas famílias, segundo a casa de seus pais, conforme o número dos nomes de todo o homem, cabeça por cabeça. Da idade de vinte anos para cima, todos os que em Israel podem sair à guerra, a estes contareis segundo os seus exércitos, tu e Arão” (Números 1:1-3).
Eis aqui a referência do nascimento das Forças de Defesa de Israel (FDI). Elas fazem parte do plano de Deus desde a peregrinação do povo no Sinai. Ele promete dar a terra que jurou a Abraão. Porém, para conquistá-la, é necessário sair à guerra. A entrada na Terra Prometida se deu em um dia, mas sua conquista definitiva levou longos sete anos de batalhas. Não existe conquista sem luta e a liberdade de um povo não é de graça. Deus quer que dependamos dele, mas nos ordena ir à peleja. É preciso ter fé, mas também é preciso lutar e fazer o que está a nosso alcance. Foi exatamente isso que o Senhor disse a Josué antes de cruzar o rio Jordão. “Esforça-te e tem bom ânimo. Não pasmes, nem te espantes porque o Senhor teu Deus é contigo por onde quer que andares” (Josué 1:9).

UM POVO COMO LEÃO
Horas antes das FDI lançarem seu maior e mais significativo ataque em solo iraniano na história recente, o primeiro-ministro Benjamim Netanyahu fez uma visita ao Kotel — local mais sagrado do judaísmo — juntamente com o presidente argentino Javier Milei que estava em visita ao país. Os dois oraram juntos no local e Netanyahu colocou uma nota de próprio punho entre as pedras ancestrais, juntamente com inúmeros outros pedidos de oração inseridos no muro diariamente. Nela estava escrito: “Um povo como uma leoa se levantará; como um leão se erguerá”. A nota foi fotografada e divulgada por jornalistas que acompanhavam o primeiro-ministro.
A frase foi extraída do livro de Números, mas ninguém entendeu o porquê exatamente dessa citação no bilhete de oração de Netanyahu. O mistério somente foi desvendado quando as FDI iniciaram seu ataque aos alvos estratégicos do Irã naquela noite. O nome da operação militar divulgada pelas FDI, enquanto as aeronaves da Força Aérea rasgavam os céus iranianos, era עם כלביא – Am Ke’lavi (Um Povo como Leão).

“O povo se levanta como leoa; ergue-se como um leão que não se deitará sem ter devorado a presa e bebido o sangue de suas vítimas” (Nm. 23:24). Estas palavras foram ditas por Balaão, o profeta instado por Balaque, príncipe dos moabitas, a amaldiçoar o povo de Israel quando ainda peregrinava no Sinai. Balaque ofereceu a Balaão grande soma de dinheiro para proferir maldições, mas o Senhor o impediu. Ao invés disso, Balaão foi obrigado a abençoar Israel.
Séculos mais tarde, Neemias relembrou esse episódio e disse que Deus convertera o que seria uma maldição em bênção (Ne. 13:2). Milênios mais tarde, o primeiro-ministro de Israel usava essa mesma bênção, proferida pelo profeta mercenário por imposição divina, para batizar uma das operações que já entrou para a história como sendo uma das mais ousadas, senão a mais ousada, das FDI. Am Ke’Lavi não é apenas uma operação, mas uma declaração de fé e força, uma mensagem de união nacional em torno do propósito da nação que deve retinir nos ouvidos de todos os inimigos de Israel como Balaque.
UM INIMIGO ANTIGO
O livro de Ester relata uma luta que tem durado gerações entre Israel e a descendência de Amaleque. Ela começou no deserto do Sinai, quando Israel ainda era um povo em peregrinação para a terra que Deus prometera a seu patriarca Abraão. Ela prossegue no tempo do primeiro reinado unificado, sob Saul, contra o rei dos amalequitas e continua séculos depois, no exílio sob o império persa, entre Mordecai e Hamã, descendente de Amaleque.
No capítulo 8 do livro de Ester, Assuero deu permissão a todos os judeus espalhados pelas 127 províncias do império persa, para fazerem guerra contra todos os que, antes, receberam de Hamã a incumbência de matá-los a fim de cumprir seu plano de aniquilar Israel. Isso ocorreu no dia 23 de Sivan (Et. 8:9). Neste ano de 2025, 23 de Sivan coincidiu com 19 de junho, o sexto dia da atual guerra entre Israel e Irã. Isso está longe de ser mera coincidência.
Hoje a mesma Pérsia (cultura e região geográfica) é chamada de Irã e Hamã foi substituído por Khamenei. Os personagens são diferentes, mas o objetivo é o mesmo. Hamã era possuído de um ódio inexplicável contra Mordecai e o povo judeu a ponto de pedir ao rei Assuero sua aniquilação. O mesmo ódio inexplicável tem levado Khamenei e seus representantes, por quase cinco décadas, declararem aos quatro ventos sua intenção de aniquilar Israel e “varrê-lo do mapa”, diante de uma comunidade internacional silenciosa. A ameaça de uma bomba nuclear não é retórica, mas real. Mudaram-se os personagens, mas o palco e o roteiro são os mesmos, pois o espírito é o mesmo.
O mesmo principado da Pérsia que resistiu ao anjo Gabriel por 21 dias, quando este foi enviado a Daniel (Dn. 10:13), continua se opondo a Israel hoje. Essa é uma guerra espiritual de altíssimo grau, envolvendo espíritos poderosos e arraigados na região mais antiga do mundo, habitada desde a criação do homem. A guerra entre Israel e Irã é mais um capítulo desse confronto milenar. É algo que transcende a questão geopolítica, mas é definitivamente uma guerra espiritual e seus desdobramentos podem repercutir em escala global.

“ACONTECEU O CONTRÁRIO”
O capítulo 9 de Ester se inicia dizendo que, “no dia em que os inimigos dos judeus esperavam apoderar-se deles, aconteceu o contrário, pois os judeus é que se apoderaram dos que os odiavam. Nas suas cidades, em todas as províncias do rei Assuero, os judeus se reuniram para atacar aqueles que queriam destruí-los” (v.1-2).
Após décadas ouvindo o discurso de ódio e a sentença de morte prometida pelo regime iraniano, Israel teve sua existência de fato ameaçada, considerando a proximidade que esteve o Irã de produzir uma bomba nuclear, assim como foram ameaçados seus antepassados no exílio na Pérsia. A sentença de morte, porém, virou-se contra seus inimigos. Como Deus frustrou os intentos malignos de Hamã, há 2.500 anos, Ele está frustrando os planos iranianos hoje, cujo propósito é o mesmo de antigamente: eliminar Israel. Ao ter seu real intento exposto pela rainha Ester, a aparente força e poder de Hamã ruíram em questão de minutos.
Do mesmo modo, a aparente força e poder do regime iraniano, acumulado e exaltado ao longo de décadas, está ruindo perante os olhos do mundo. Ao deflagrar a Operação Am Ke’Lavi, em questão de minutos, as FDI e o Mossad neutralizaram a robusta estrutura de defesa aérea iraniana. Estamos chegando ao décimo dia da Operação e a Força Aérea de Israel detém total superioridade, demonstrada pelo domínio do espaço aéreo iraniano. Centenas de aeronaves têm transitado livremente nos céus do Irã, a mais de 1.500 km de suas bases, para realizar ataques precisos sobre centenas de alvos militares de nível estratégico e operacional. É digno de nota que, após dez dias da operação, nenhuma aeronave das FDI tenha sido abatida.
Em apenas nove dias de operação, o conflito arrastou consigo a maior potência militar do planeta para executar um ataque que apenas os EUA eram capazes. As forças militares norte-americanas empregaram os maiores e melhor armados caças-bombardeiros em atividade — os B-2 Spirit — para atingirem as instalações da planta nuclear de Fordow, localizada a cerca de 90 metros de profundidade. Pela primeira vez na história, foram lançadas as bombas GBU-57 MOP, as únicas capazes de atingir um alvo em grandes profundidades abaixo do solo. Foram também empregados mísseis Tomahawk, lançados de dois submarinos nucleares, sobre as plantas nucleares de Natanz e Isfahan. Assim, a grande ameaça nuclear que visava destruir Israel levou um golpe irreversível. Parece que “aconteceu o contrário”, exatamente como há 2.500 anos, no mesmo império.

Assim como Hamã foi exposto e deposto de sua alta posição, enfraquecido e humilhado perante seu próprio povo, o regime iraniano tem sido humilhado e exposto não apenas perante seu povo, mas aos olhos do mundo inteiro. Por mais que os inimigos de Israel tentem, não poderão destruí-lo. Deveriam aprender isso com as lições passadas e milênios de uma história que comprova que sua civilização não foi um mero acaso, mas decorrente de uma promessa feita pelo Todo-Poderoso. Deveriam atentar para as palavras ditas por Balaão quando Israel ainda era um povo errante no deserto.
“Não há encantamento contra Jacó, nem adivinhação contra Israel. Agora será dito de Jacó e de Israel: Que coisas Deus tem feito! Benditos os que te abençoarem e malditos os que te amaldiçoarem!” (Nm. 23:23; 24:9)
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