Yom Kippur e a Guerra de Israel
No dia 12 de outubro, alcançamos mais um Yom Kippur e este é diferente de todos os demais que já vivenciamos. A razão é o estado de guerra contínuo em que se encontra Israel há um ano, desde o infame dia 7 de outubro do ano passado. A Guerra do Yom Kippur de 1973 não se compara à que se desdobra hoje em Israel. Vamos refletir sobre o significado da Festa de Yom Kippur e a guerra de Israel travada em várias frentes, dentro e fora do país, bem como seu desdobramento na vinda do Messias.
Desde a formação do Estado novo de Israel, o país tem enfrentado diversas guerras contra seus inimigos. Israel é a única nação que enfrenta guerras antes mesmo de sua formação e antes de ter seu território, como ocorreu ao ser atacado por Amaleque no deserto do Sinai, em peregrinação para a terra prometida aos patriarcas. Tem sido assim por toda sua existência e assim será até o fim da presente era.
Entre Rosh HaShaná e Yom Kippur, estão os dez Dias de Temor. São dias ainda dentro do período de Teshuvá, porém, mais solenes e intensos. O selo final do juízo divino se dá em Yom Kippur e isso explica o porquê de mais orações, mais pedidos de perdão, mais reconciliação, mais reverência e temor. No volume 2 de A Oliveira Natural, escrevi sobre esses dias e o que representam antes da vinda do Messias para Jerusalém, a fim de remir o remanescente de Israel e julgar as nações. Busquei expor as muitas profecias distribuídas ao longo das Escrituras, desde Gênesis, que apontam para esses dias tenebrosos, tudo ratificado no Novo Testamento, em especial, em Apocalipse.
Os dez Dias de Temor apontam para o período de maior sofrimento e perseguição do povo de Israel, como dizem as Escrituras e o próprio Yeshua. Correspondem às Dores de Parto do Messias e à Grande Tribulação de seu sermão dos dias do fim, ou à última semana de Daniel. Sabemos que ainda não alcançamos esse ponto, pois antes haverá a falsa paz. Entretanto, a guerra vivida por Israel hoje, travada em vários fronts, envolvendo inúmeros atores e com um terrível potencial de se tornar um conflito mundial, é inédita. É o máximo que já nos aproximamos dos Dias de Temor proféticos que precederão o último Yom Kippur dessa era, culminando com o retorno de Yeshua aos olhos de toda a Terra.

O ANEL DE FOGO
É notável que o aniversário de um ano do ataque do Hamas, em 7 de outubro de 2023, tenha ocorrido exatamente entre Rosh HaShaná e Yom Kippur, dentro dos dez Dias de Temor. Como esse período aponta para a futura angústia de Jacó, de acordo com as Escrituras, as cerimônias de homenagem aos mortos naquele ataque covarde que iniciou essa guerra, ocorridas por todo o país, são mais que simbólicas; são proféticas. A conotação solene de costume que cerca esse período entre as duas Festas foi agravada pelo terrível sentimento de dor e perda que assola o país há um ano, incluindo a agonia dos reféns nas mãos do Hamas.
Esse estado de alma reflete profeticamente o sentimento futuro da nação judia diante da perseguição e tormento que se intensificará até o fim desta era. Israel se encontrará cercado de seus inimigos, em grande angústia, quebrantado pelo espírito de graça e de súplicas, conforme profetizou Zacarias, o que preparará o remanescente daqueles dias para o encontro com seu Messias.
A propósito, o cerco inimigo que ameaça a situação de segurança das fronteiras de Israel hoje, de certo modo, aponta para as futuras Dores de Parto do Messias. O país se encontra exposto a sete frentes de combate simultâneas, consistente com a estratégia do Irã para derrotar Israel, conhecida por anel de fogo. A frente sul está sendo travada contra o Hamas em Gaza; a frente norte, no Líbano, contra o Hezbollah; a frente leste, na Cisjordânia, contra a Jihad Islâmica; a frente nordeste, contra as milícias xiitas da Síria. Ainda há as frentes contra atores extrafronteiras como os Houthies, no Iêmen, as milícias xiitas do Iraque e, por fim, contra o regime do Irã que sustenta e financia todo o esforço dessas facções terroristas contra Israel, sendo ele mesmo a maior de todas as ameaças.

A GUERRA DE GOGUE
Alguns dias após a invasão da Ucrânia pela Rússia, escrevi sobre o possível início da Guerra de Gogue e Magogue. Afirmei, na época, que o conflito poderia não ser tão rápido como muitos analistas afirmavam e previam uma vitória esmagadora da Rússia. Escrevi que só o tempo diria se se tratava de mais um confronto entre a descendência de Amaleque e a de Israel.
O ataque do Hamas que deflagrou a atual guerra em Gaza ocorreu alguns dias após a visita da cúpula do Hamas a Putin. Não é novidade que o Kremlin corteje grupos terroristas há algum tempo. Porém, a suspeita logo levantada no Ocidente foi a de que tal reunião tratou de se obter o apoio russo ao ataque do Hamas a Israel. Isso faz muito sentido e interessaria diretamente a Rússia, uma vez que uma guerra envolvendo Israel não apenas desviaria a atenção e pressão do Ocidente contra a guerra da Ucrânia, mas também drenaria o apoio financeiro e logístico prestado ao governo de Zelensky, pendendo a balança do conflito em favor da Rússia.
O fato do aniversário de Putin ser em 7 de outubro reforça ainda mais essa possibilidade. É legítimo indagar se o ataque do Hamas teria sido um presente dos terroristas a Putin. Escrevi sobre isso em nosso primeiro artigo do ano — O Princípio das Dores. Ali, ressaltei o “novo eixo do mal”, no qual estão inseridos Rússia e Irã, o principal inimigo de Israel. Essa conexão da guerra da Ucrânia com a atual guerra de Israel possui a Rússia como denominador comum, ativa diretamente em um conflito e, no outro, por trás do apoio a terroristas. Nunca é demais mencionar que a Rússia é vista na tradição rabínica como Gogue que encabeçará a batalha dos últimos dias contra Israel.
No dia seguinte ao ataque do Hamas, 8 de outubro de 2023, o Hezbollah iniciou seus ataques contra o território israelense e não parou mais. Até agora, foram mais de doze mil mísseis e foguetes, a maioria interceptada pelo sistema de defesa Iron Dome, mas alguns causaram muitos danos materiais e mataram dezenas de pessoas, incluindo a morte das doze crianças druzas que jogavam futebol em um campo numa tarde de Shabbat. Houve a evacuação de mais de 60 mil cidadãos do norte de Israel que tiveram que deixar suas moradas para se protegerem. A situação ficou insustentável e levou à invasão limitada ao sul do Líbano pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) no último dia 30 de setembro.
Um dos objetivos militares dessa invasão é desmantelar a infraestrutura de terror do Hezbollah. As FDI descobriram documentos com planos de ataque às comunidades do norte, à semelhança do que foi feito pelo Hamas ao sul, porém, ainda pior. Descobriram muitos túneis, sendo que um atravessava a fronteira, prestes a ser aberto do lado israelense. A inteligência concluiu que o ataque era iminente. As FDI expuseram em seus canais de comunicação todo esse mesmo plano macabro do 7 de outubro que intentaria contra a população dos territórios do norte e da Galileia. O Hezbollah chegou a criar uma força especial para isso, chamada Radwan. Entretanto, uma das descobertas mais reveladoras foi uma enorme apreensão de armas e munição de origem russa nos depósitos do Hezbollah, o que comprova o envolvimento da Rússia diretamente no apoio aos terroristas inimigos de Israel.

Em seguida à essa enorme apreensão, no último dia 3 de outubro, com base em informes de inteligência, as FDI fizeram um ataque preciso de mísseis contra a base russa de Khmeimim, na Síria. Tratava-se de um depósito de munição de origem russa a ser transferida para o Hezbollah. Isso elevou demais as tensões entre os dois países e não sabemos o grau de desdobramento que venha a ter no curto prazo. Israel expôs o envolvimento da Rússia que, até então, era feito de modo velado, e diz que tomará qualquer medida para proteger seus cidadãos, incluindo ataques fora de seu território como este. Qualquer resposta violenta da Rússia contra Israel acarretará definitivamente um conflito direto com os Estados Unidos. A terceira guerra mundial está bem mais próxima do que se imagina.
A GUERRA E OS SINAIS NO CÉU
A guerra de Israel, iniciada em Sukkot do ano passado, desencadeou outros conflitos na região, tensionou crises entre diversos países dos quatro cantos do mundo para com Israel e disparou o sentimento antissemita em todos os lugares. Parece que Israel foi o culpado de ter seu território invadido e seus cidadãos massacrados dentro de suas casas, incluindo a morte violenta de bebês queimados e decapitados. Expôs também a hipocrisia e o antissemitismo latente da ONU, incluindo de seu próprio presidente. As ações beligerantes apenas aumentam e as perspectivas não são nada alvissareiras.
Irã, o arqui-inimigo do povo judeu, que prega aos quatro ventos a extinção do Estado de Israel, fez dois grandes ataques contra seu território. O primeiro foi em 13 de abril, com cerca de 350 mísseis balísticos, de cruzeiro e drones; o segundo foi no último 1º de outubro com cerca de 180 mísseis balísticos. Em ambos, o mundo inteiro viu que o Guarda de Israel não dorme nem cochila. Nenhuma pessoa em território israelense foi atingida. Apenas um palestino na Judeia (Cisjordânia) foi morto no último ataque na queda de um invólucro de míssil interceptado e destruído. Nenhum sistema de defesa aéreo é perfeito e, mesmo nos casos em que mísseis caíram em regiões habitadas, nenhuma pessoa foi atingida. Até os mais céticos reconhecem que isso foi um verdadeiro milagre, na verdade, um duplo milagre.

A resposta virá inevitavelmente e a tendência é que essa guerra de Israel se expanda e tenha consequências imprevisíveis. O dia de Rosh HaShaná, ocorrido um dia depois do ataque do Irã, em 2 de outubro, também foi marcado por um eclipse solar anular no Pacífico. Embora não visto em Israel, ele ocorreu durante o pôr do sol no país, na transição para o novo ano judaico, marcando o 1º dia de Tishrei.
Esse foi o segundo e último eclipse solar do ano. O primeiro foi total, ocorreu no dia 8 de abril e coincidiu com o início do primeiro dia de Nisan, o mês da Páscoa e tempo de nossa redenção. Veja como é importante olharmos para o alto literalmente e buscarmos compreender os sinais do céu, conforme escrito em Gênesis. Os dois grandes eclipses solares do ano (um total e outro anular) coincidiram exatamente com 1º de Nisan, mês que marca a principal das Festas da Primavera, e 1º de Tishrei, o sagrado mês das Festas do Outono, iniciando-se em Rosh HaShaná. Qual a probabilidade de isso ser uma mera coincidência?
A ocorrência de eclipses em datas que coincidem com as Festas do Senhor ou próximas a elas têm um histórico de eventos marcantes nas nações, muitos deles ligados a tragédias. O que virá no rastro do eclipse solar de Rosh HaShaná em 2 de outubro? O que Deus está comunicando às nações? Parece um recado claro em relação a Israel e a tempos difíceis adiante.
Cabe relembrar que, imediatamente antes do eclipse, o furacão Helene, de categoria 4, causou morte e destruição na Carolina do Norte, com mais de 200 mortos e dezenas de desaparecidos. Enquanto escrevo essas linhas, o furacão Milton se desloca do Golfo do México rumo à Flórida e milhares de habitantes se puseram em rota de evacuação para fugir de seus efeitos devastadores. Há algo ainda de auspicioso em relação a esse último eclipse. Tratou-se de um eclipse solar anular, quando a lua se encontra mais afastada da Terra e, ao encobrir o sol, forma um anel de fogo à sua volta. Anel de fogo é exatamente o nome da estratégia do Irã para sufocar Israel em várias frentes de combate, utilizando-se de diversos grupos terroristas. A mensagem não poderia ser mais clara.

O RELÓGIO DE DEUS
As Escrituras mencionam diversos eventos astronômicos como sinais da volta do Senhor, dentre os quais, eclipses são os mais recorrentes. As guerras são outro grande sinal, em especial contra Israel, envolvendo diversas nações. O antissemitismo crescente, chegando a índices atualmente que só se comparam aos da Segunda Guerra, também é outro sinal. Yeshua falou desse ódio contra seu povo e prometeu julgar as nações de acordo com a forma com que tratarem Israel. O julgamento das nações é outro tema pertinente a Yom Kippur.
Embora haja ainda eventos importantes e proféticos por se cumprirem antes de sua volta, uma coisa é certa. Já vivemos os tempos do fim e estes são de grande angústia para Israel. Isso afeta a igreja do Messias em todo o planeta, bem como alcança o Ocidente, moldado pela cultura judaico-cristã.
A atmosfera de pesar e quebrantamento é própria dos Dias de Temor. Os sinais que nos cercam e o tempo de angústia vivido hoje pela nação de Israel fazem do próximo Yom Kippur, no dia 12 de outubro, o mais próximo do que será na chegada do Messias. A cada ano, isso será mais intenso até que de Sião venha o Libertador e desvie de Jacó as impiedades, quando todo o remanescente de Israel será salvo (Rm. 11:26). Assim se cumprirá profeticamente o Yom Kippur que finaliza a presente era. É vital que saibamos interpretar os tempos em que vivemos nessa hora tão relevante do relógio de Deus.
* Estamos em meio às Festas do Outono, as Festas do Senhor na Torá que apontam para a segunda vinda de Yeshua. O significado profético dessas Festas e as profecias a elas relacionadas são estudadas com profundidade no volume 2 de A Oliveira Natural. Esse é um tema vital e urgente para o corpo do Messias, dado o tempo em que vivemos. Se esse assunto lhe desperta interesse e deseja conhecer mais, você precisa ler esse livro.
Referências:
Why Did Hamas & The Islamic Jihad Launch A War Against Israel? (insidethemiddle-east.com)
Claims Swirl Around Israeli Strikes Very Near Russia’s Air Base In Syria (twz.com)
Under fire: Israel’s Iron Dome winning but pressure’s on as conflict with Iran escalates | Fox News
Israeli Troops Seize Russian-Made Weapons at Hezbollah Positions – Militarnyi
Oct. 2 Annular Solar Eclipse – NASA Science
Hurricane Helene by the numbers: Catastrophic destruction covers 400 miles – ABC News (go.com)
Leia também:
Explore com profundidade as Festas do Senhor e conheça mais sobre nossas raízes.
A CADA MATÉRIA AQUI POSTADA POR VC MEU IRMÃO, NOS FAZ APROFUNDAR EM MUITO CONHECIMENTO.
SOU TÃO GRATA POR COMPARTILHAR CONOSCO SEU CONHECIMENTO SOBRE ISRAEL.
DEUS ABENÇOE MUITO SUA VIDA. SHALOM
Olá, Graça!
Obrigado pelas palavras generosas. Shalom desde Sião!