Os Dias de Temor e o Perigo de uma Guerra Mundial
Entre Rosh HaShanah e Yom Kippur, estão os dez Dias de Temor, uma continuação do período de Teshuvah iniciado no mês de Elul.[1] Após o início do ano novo civil, esses dias se tornam mais intensos com as selichot (orações por perdão) e a preparação para o Yom Kippur — Dia da Expiação — data em que os livros são fechados e o juízo sobre toda carne é consumado. Como nos últimos dois anos, este também é um período profético pelo desenrolar dos eventos atuais que apontam para o fim da presente era. Neste artigo, vamos analisar a relação dos Yamim Nora’im — Dias de Temor — e o perigo de uma guerra mundial que se vislumbra num futuro próximo.
Jesus advertiu que, antes da Grande Tribulação, viria um tempo de muita dificuldade em que as guerras se intensificariam e catástrofes afetariam a humanidade. “Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas essas coisas são o princípio das dores.” (Mateus 24:7,8 | ARC) Por outro lado, Ele também alertou que ainda não seria o fim e por isso chamou esse período de Princípio das Dores. Acredito firmemente que já o estamos vivenciando em nossa geração. Somos testemunhas das “guerras e rumores de guerra”, mencionados pelo Senhor em Mateus 24:6, dos últimos dias.
Após o fim da Guerra Fria, em 1990, com a dissolução da União Soviética (URSS), o mundo viveu um período de relativa paz. A Guerra Fria foi a mais longa do século XX e a ameaça de um holocausto nuclear, capaz de extinguir a humanidade da face do planeta em minutos, foi um fantasma que perseguiu o mundo por mais de quatro décadas. Apesar de algumas guerras pontuais, como a do Golfo em 1991, tal paz relativa, livre de ameaças de destruição mútua, durou cerca de onze anos. Ela só foi rompida com o famigerado 11 de setembro de 2001. Esta data marcou uma guerra generalizada contra o terrorismo pela única superpotência de nosso tempo — os Estados Unidos da América (EUA).
A Guerra do Afeganistão, iniciada em 2001 em decorrência do 11 de setembro, e a Guerra do Iraque, em 2003, que derrubou a ditadura de Saddam Hussein, também foram pontuais, envolvendo os EUA com alguns aliados. Não víamos, no entanto, o padrão de guerras predito por Jesus, de “nação contra nação e reino contra reino”. Levaria um tempo até que pudéssemos testemunhar novamente esse tipo de conflito, tão comum no século passado. Embora as crises entre nações hostis sempre tenham existido em nossa geração, normalmente, elas eram distendidas de um modo ou de outro. Esse limiar, porém, for irrompido no dia 24 de fevereiro de 2022.
Esta data marcou a invasão da Ucrânia pela Rússia, iniciando um longo conflito que acaba de completar quatro anos e meio, e já ceifou centenas de milhares de vidas. Em seguida, veio o 7 de outubro de 2023, quando o Hamas invadiu Israel e deflagrou mais um conflito que, até o momento, não se resolveu, em mais um episódio da eterna guerra contra Amaleque. Em sua esteira, veio outra guerra contra o Hezbollah, no Líbano, e uma guerra inédita contra o Irã que arrastou consigo a única superpotência global, os Estados Unidos da América, além de diversos países árabes sunitas da região.

Terceira guerra mundial?
Se observarmos com cuidado as palavras de Yeshua, essas duas datas marcam, de fato, o início de um tempo em que se levanta “nação contra nação e reino contra reino”. No entanto, a fatídica data de 7 de outubro originou uma guerra que se expandiu para além das fronteiras de Israel, envolvendo o grupo terrorista Houthies, no Iêmen, e a guerra direta no território do Irã, com participação dos EUA. Por outro lado, o Irã atacou vários países árabes sunitas que abrigam bases dos EUA, como forma de retaliação aos ataques norte-americanos. Três desses países são denominados reinos: Arábia Saudita, Bahrein e Jordânia. Logo, nossa geração está testemunhando literalmente o cumprimento da profecia de Mateus 24:7: “Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino”.
No dia 25 de julho, a Ucrânia atacou um navio iraniano que transportava drones para a Rússia, no Mar Cáspio, que seriam empregados contra seu território na presente guerra. Esse evento escalou a tensão que já havia contra o Irã, aumentando em muito o risco de se fundir as duas guerras atuais em uma. A ameaça de uma guerra generalizada sempre existiu, após a invasão russa, especialmente se um dos países da OTAN fosse agredido pela Rússia. Essa possibilidade por si só já tem despertado a Europa para se fortalecer militarmente em preparação para uma possível expansão da guerra na Ucrânia. Com o ataque ucraniano recente, pode-se configurar uma única guerra em que, de um lado, estariam Estados Unidos, Israel e Ucrânia e, de outro, Rússia e Irã que já se apoiam mutuamente em seus conflitos.
Até agora o Irã não respondeu ao ataque ucraniano com armas, mas prometeu retaliação no momento oportuno. A Rússia, apesar das enormes perdas humanas e materiais, não desiste da disputa pelo território ucraniano. Os Estados Unidos não conseguiram derrubar a ditadura do regime iraniano apesar de meses de conflito e ataques em sua estrutura militar de defesa, em coordenação com Israel. O estreito de Ormuz é o grande calcanhar de Aquiles dessa guerra, capaz de causar uma crise econômica global devido ao risco de disparada do preço do petróleo.
Para aumentar as tensões, no dia 7 de agosto, foi assinado o Acordo de Defesa de Meca, entre Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, para prover defesa mútua e coletiva contra qualquer ataque externo. Foi uma clara resposta ao Irã e a seus aliados regionais, o que pode aumentar ainda mais o risco de outros conflitos contra o regime dos aiatolás e as milícias xiitas. Tudo isso somado, sem contar o apoio silencioso da China à Rússia e ao Irã, pode colocar em confronto direto as grandes potências militares do mundo e deflagrar a terceira guerra mundial, sem exagero algum. Desde o fim da Guerra Fria, nunca estivemos tão próximos disso.

Um caos crescente
O Princípio das Dores não envolve apenas guerras generalizadas, mas catástrofes naturais como terremotos, como advertiu Yeshua. E aqui não há como deixar de registrar a ocorrência inédita de três terremotos de grande magnitude (superior a 7 na escala Richter) na América Latina em um espaço de menos de dois meses, entre junho e agosto. Nunca se registraram três terremotos tão fortes e tão próximos no tempo (Venezuela, México e Colômbia).
Se abrirmos os olhos espirituais para os sinais crescentes ao redor do mundo, concluiremos que já entramos no período aludido por Yeshua. “Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não vos assusteis. É necessário que isso aconteça primeiro, mas o fim não será logo” (Lucas 21:9 – AEC). Sim, o fim não virá agora, mas já entramos no que pode ser chamado de princípio do fim ou Princípio das Dores, segundo Yeshua.
Tudo o que estamos testemunhando em nossos dias não deveria surpreender, pois foi predito pelos profetas de Israel, por Yeshua e pelos apóstolos. Quando o Senhor diz “não vos assusteis”, está se referindo àqueles que conhecem sua Palavra e que se guiam por ela, não permitindo que os acontecimentos que os cercam abalem sua fé ou tirem sua paz. Este mundo que “jaz no maligno” está numa espiral descendente, num crescente caos, causado por uma humanidade em pecado que escolheu excluir Deus de seu destino. Tal ambiente caótico será o cenário perfeito para o governo autoritário e profano do anticristo.

Dores de Parto do Messias
O Princípio das Dores nos introduz nessa era de grandes dificuldades, num mundo caótico, não apenas de guerras e catástrofes naturais, mas também na era do engano. O próprio Senhor nos adverte de que o espírito de engano será tão forte nos últimos tempos que poderia enganar até os escolhidos. Esse mesmo engano levará as nações a se submeterem ao governo do anticristo num cenário de caos, originado pelas guerras e catástrofes. Após o período da falsa paz (metade da primeira semana de Daniel), a perseguição retornará a Israel de modo inédito, como nunca houve em sua história, e o mundo adentrará, de fato, no período da Grande Tribulação ou nas Dores de Parto do Messias.
Esse período profético é também conhecido na tradição judaica como Yamim Nora’im — os Dias de Temor que se estendem até Yom Kippur. Esta é a conexão com a Grande Tribulação, com o fim dos dias e que leva à vinda do Messias para salvar Israel de seus inimigos. É notável que, nessa época do ano, estejamos vivenciando essas guerras e todos esses rumores de guerras, exatamente como previu Yeshua. Além disso, nas duas guerras atuais, temos, de um lado a Rússia, representante de Gogue que, segundo a tradição, encabeçará a Batalha Final contra Israel. Do outro lado, temos exatamente Israel que sofrerá um cerco a Jerusalém, no fim dos dias, por parte de Gogue e as demais nações a ela aliançadas.
O ajuntamento para essa Batalha Final deflagará a chegada do Messias para salvar Israel no Yom Kippur mais dramático de sua história. Embora isso não ocorra agora, como disse Yeshua, estamos presenciando as forças se alinharem em nosso tempo. O perigo de uma guerra mundial que se avizinha no horizonte confirma suas palavras. Esses sinais do Princípio das Dores que começamos a experimentar, em vez de desespero, devem ser motivo de esperança e de vigilância, como exortou o Senhor. Ao percebê-los, devemos nos animar porque próxima está nossa redenção. Maranata!
[1] As Festas do Outono (Rosh HaShanah, Yom Kippur e Tabernáculos) apontam para a segunda vinda do Messias e são abordadas com profundidade de detalhes no volume 2 de A Oliveira Natural.
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